O jornal “Folha de S. Paulo” deu manchete outro dia, em outras palavras, chamando o trabalhador brasileiro de vagabundo. Mas esqueceu de citar que enquanto um trabalhador brasileiro, recebendo o salário mínimo de R$ 1.621, precisa suar 44 horas semanais para garantir pouco mais de R$ 7 por hora, um deputado ou senador, em seus gabinetes de luxo, em Brasília, embolsa R$ 46 mil mensais — sem contar os penduricalhos. Na prática, cada hora de trabalho parlamentar pode ultrapassar os R$ 280, considerando que suas sessões raramente ocupam mais que três dias úteis por semana.
O contraste é brutal: o trabalhador comum custa R$ 19 mil por ano ao empregador, enquanto cada parlamentar custa cerca de R$ 3 milhões anuais aos cofres públicos. E não se trata apenas do salário: há cotas para passagens aéreas, auxílio-moradia, verba de gabinete milionária para contratar assessores e uma lista interminável de privilégios que transformam o mandato em um verdadeiro negócio de luxo.
Quando insinuam que o trabalhador brasileiro é “vagabundo”, ignoram que quem vive de privilégios e baixa produtividade são justamente aqueles que deveriam legislar em favor da população. O operário que acorda às 5h da manhã para enfrentar transporte público lotado e jornadas extenuantes não é preguiçoso — é explorado. Vagabundagem é receber dezenas de milhares de reais por mês, trabalhar poucas horas e ainda ter a audácia de se colocar como “representante do povo”.
Vamos a matemática crua:
- Salário mínimo (2026): R$ 1.621/mês
- Salário parlamentar (deputado/senador): R$ 46.366/mês
Quantos salários mínimos equivalem a um salário parlamentar?
46.3661.621≈28,6
Ou seja: um deputado ou senador recebe o equivalente a quase 29 salários mínimos por mês.
Quantos meses de trabalho isso representa?
- Um trabalhador leva 29 meses (mais de 2 anos e 5 meses) para ganhar o que um parlamentar recebe em apenas 1 mês.
Comparação por hora
- Trabalhador: R$ 1.621 ÷ 176h ≈ R$ 9,21/hora
- Parlamentar: R$ 46.366 ÷ 160h (se fosse jornada cheia) ≈ R$ 289/hora
- Mas como a carga efetiva de sessões é bem menor (cerca de 30h/mês), o valor real pode ultrapassar R$ 1.545/hora, ou quase um salário mínimo atual.
Então:
“Enquanto o trabalhador precisa de mais de dois anos de suor contínuo para alcançar o que um parlamentar recebe em apenas um mês, o Congresso segue blindado por privilégios e penduricalhos. A matemática é cruel: cada hora de um operário vale menos de dez reais, enquanto a hora de um deputado pode ultrapassar mil e quinhentos. Quem é o verdadeiro vagabundo nessa equação?”
E é inadmissível a comparação, muitas vezes, de que o parlamentar é uma autoridade, escolhida pelo povo. Qualquer eleitor, mesmo sem formação escolar, pode, com um documento do próprio punho, se habilitar para concorrer nas eleições. Nem um comprovante de conclusão de mínimo ensino ele precisa apresentar para ser candidato.
Comparativo: Trabalhador x Parlamentar
| Categoria | Trabalhador (Salário Mínimo) | Deputado Federal | Senador |
| Salário Base | R$ 1.621/mês (2026) | R$ 46.366/mês | R$ 46.366/mês |
| Valor por Hora | R$ 7,37 | Aproximadamente R$ 289/hora (considerando 160h/mês) | Aproximadamente R$ 289/hora |
| Carga Horária | 44h semanais (176h/mês) | Sessões semanais em Brasília (média 3 dias úteis, cerca de 30h/mês efetivas) | Semelhante aos deputados, com menos sessões deliberativas |
| Benefícios Extras | Vale-transporte, FGTS, férias, 13º | Cota parlamentar (até R$ 40 mil/mês para despesas), verba de gabinete (R$ 118 mil/mês para assessores), auxílio-moradia, passagens aéreas, reembolsos diversos | Idênticos aos deputados, com direito a estrutura própria de gabinete e cotas |
| Custo Anual por Pessoa | R$ 19.452 | R$ 3 milhões | R$ 3 milhões |
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