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Pesquisa mostra a influência da reforma trabalhista na vida sindical

Pesquisa Vox Populi revela que 68% dos trabalhadores brasileiros consideram os sindicatos importantes ou muito importantes para a defesa de direitos. Ainda assim, a taxa de sindicalização geral no país, segundo dados da PNAD Contínua/IBGE, caiu de forma acentuada: de 15,7% em 2015 para cerca de 9% em 2024. Para Patrícia Vieira Trópia, docente e integrante do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior, esse fenômeno acompanha uma tendência observada em países capitalistas centrais e em boa parte da América Latina desde os anos 1980.

No Brasil, o movimento sindical vem perdendo filiados desde o início dos anos 2000, mesmo em períodos de crescimento econômico. A queda se intensificou após 2012 e atingiu categorias historicamente organizadas, como metalúrgicos e bancários. Já os setores mais precários, como comércio e construção civil, ampliaram postos de trabalho sem que os sindicatos conseguissem atrair esses trabalhadores. A legislação sindical, baseada na unicidade e na representação apenas de categorias formais, contribui para a fragmentação: hoje existem mais de 11 mil sindicatos, mas grande parte da classe trabalhadora – terceirizados, informais e autônomos – permanece sem representação efetiva.

Influência direta

A Reforma Trabalhista de 2017 agravou o cenário, ao reduzir a capacidade de financiamento das entidades e enfraquecer as negociações coletivas. O fim do imposto sindical, embora tenha eliminado acomodações, deixou os sindicatos financeiramente vulneráveis. A pesquisa mostra ainda que mais da metade dos trabalhadores não conhece as ações das entidades que os representam, apontando como prioridades maior presença nos locais de trabalho e melhor comunicação.

Reinvenção

Diante desse quadro, dirigentes sindicais falam em “reinvenção”: voltar às bases, investir em formação política, campanhas de sindicalização e comunicação direta, especialmente entre os jovens e os trabalhadores precarizados. O desafio é superar a fragmentação e reconquistar a confiança da classe trabalhadora. Sem isso, o sindicalismo corre o risco de se tornar cada vez mais irrelevante em um mercado marcado pela informalidade e pela precarização.

A influência empresarial, política e até de representações religiosas mais recentemente, estão contribuindo para o desinteresse do trabalhador formal. A pejotização e outras formas de desarticulação do vínculo celetista também contribuem para o cenário revelado pela pesquisa. Os sindicatos, federações e confederações, trabalham incansavelmente para orientar seus dirigentes a fim de que se restabeleça a representação trabalhista forte e dinâmica como sempre.

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