A paralisação nacional dos auditores fiscais do trabalho, iniciada em dezembro de 2025, já provoca impactos diretos no combate ao trabalho escravo contemporâneo no Brasil. Desde o início do movimento, cerca de 400 auditores suspenderam as atividades de fiscalização, o que resultou no cancelamento de operações de resgate de trabalhadores submetidos a condições análogas à escravidão, justamente às vésperas do Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo, em 28 de janeiro.
De acordo com informações da categoria, ao menos quatro operações de resgate previstas para janeiro de 2026 foram canceladas, nos estados do Piauí, São Paulo e Minas Gerais. As ações ocorreriam após um ano marcado por recorde de denúncias de trabalho escravo, o que acende um alerta sobre o risco de retrocessos na política pública de enfrentamento a esse crime.
Motivos da paralisação
Os auditores fiscais protestam contra o que classificam como interferências indevidas do ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, em três processos administrativos que tratam da inclusão de empresas na chamada “lista suja” do trabalho escravo — cadastro oficial que reúne empregadores flagrados explorando mão de obra em condições degradantes.
A categoria afirma que as interferências comprometem a autonomia técnica da fiscalização do trabalho e enfraquecem um dos principais instrumentos de combate ao trabalho escravo no país. Em razão do impasse, todas as operações de resgate permanecem suspensas enquanto durar o movimento.
Protestos
No dia 28 de janeiro, o governo federal programou um grande ato nacional em alusão ao Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo. Entre as atividades houve o lançamento do 3º Plano Nacional de Erradicação do Trabalho Escravo e eventos institucionais no Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania e no Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).
Paralelamente, a Associação Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho (ANAFITRA) realizou atos e protestos durante os eventos oficiais, com o objetivo de denunciar a paralisação das fiscalizações, cobrar respeito à autonomia dos auditores e alertar para os efeitos práticos da suspensão das ações de resgate.
Alerta
Especialistas e entidades ligadas aos direitos humanos avaliam que a interrupção das operações representa um grave risco de retrocesso no enfrentamento ao trabalho escravo, política que é referência internacional e depende diretamente da atuação dos auditores fiscais.
Enquanto o impasse não é resolvido, trabalhadores seguem expostos a condições degradantes, sem a presença do Estado para interromper situações de exploração extrema — um cenário que contrasta com o simbolismo do Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo e reforça a urgência de uma solução institucional para o conflito.
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