Enquanto o Congresso não pauta a proposta de redução da jornada semanal de 44 para até 40 horas sem corte de salários, o tema se consolida como um dos principais embates políticos de 2026, ano de eleições gerais. O governo transformou a medida em bandeira eleitoral, enquanto entidades empresariais pressionam pela postergação do debate para 2027, alegando riscos de custos bilionários e impacto inflacionário.
De um lado, associações como CNI, CNC e Abrasel alertam para despesas adicionais que poderiam variar de R$ 178 bilhões a R$ 358 bilhões por ano, com reflexos diretos na folha de pagamento e nos preços ao consumidor. A FecomercioSP defende que a discussão seja feita “com calma” e não “no calor dos ânimos eleitorais”.
Do outro, o governo aposta em pesquisas que indicam apoio popular — 67% no Sudeste — e em estudos como o da Unicamp, que projetam a criação de até 4,5 milhões de empregos e aumento de 4% na produtividade. O Sebrae também se posiciona favoravelmente, destacando que a maioria das micro e pequenas empresas não vê impactos negativos e que a mudança pode representar modernização do mercado de trabalho.
O presidente do Sebrae, Décio Lima, afirma que a escala 6×1 é um modelo “arcaico” e que a redução da jornada traria ganhos de qualidade de vida e expansão econômica. Para ele, resistências empresariais refletem uma visão conservadora, enquanto a economia brasileira precisa se adaptar a padrões mais modernos e humanizados.
No Congresso, quatro propostas tramitam, com destaque para a PEC da deputada Erika Hilton, que prevê jornada de 36 horas e possibilidade de semana de quatro dias. O relator Luiz Gastão, porém, sugere teto de 40 horas. A oposição, liderada por partidos como PL e União Brasil, promete barrar a medida, alinhada ao setor produtivo.
Com pesquisas mostrando que mais da metade dos eleitores não votaria em candidatos contrários ao fim da escala 6×1, o tema se tornou munição eleitoral de peso. Governo e oposição travam um verdadeiro “Fla-Flu” político, que promete marcar o ritmo da campanha presidencial e legislativa deste ano.
*********





