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Não trabalhe contra quem o defende!

O discurso contra o imposto sindical foi uma das maiores armadilhas já montadas contra o trabalhador. Curiosamente, quem mais defende o fim da contribuição obrigatória são os patrões — mas não se engane: eles jamais abriram mão do imposto que financia suas próprias entidades, como Federações da Indústria e CDLs. Resultado? Enquanto sindicatos patronais acumulam riqueza e poder, os sindicatos de trabalhadores são sufocados até perder a capacidade de luta.

O empresário sabe que investir no sindicato dele é investir em poder. Já o trabalhador, manipulado pela mídia e por discursos “modernos”, é induzido a matar de fome a única instituição que o protege das arbitrariedades econômicas. É quase irônico: o mesmo trabalhador que aceita trabalhar 7 dias de graça por ano para o patrão, se recusa a fortalecer quem luta pela sua dignidade.

E aqui está a contradição gritante:

Em meses com 31 dias, você entrega um dia de trabalho gratuito ao patrão.

São 7 dias por ano que somem do seu bolso e viram lucro empresarial.

Mas quando chega a hora de contribuir com o sindicato, a lógica desaparece, e o trabalhador é convencido de que “não vale a pena”.

Em fevereiro, você ganha 6 dias de descanso remunerado (28 dias + Carnaval). Mas em março, quando poderia devolver apenas um dia para fortalecer quem te defende, prefere negar apoio. Isso não é racionalidade, é manipulação.

O trabalhador que não ajuda a manter quem o defende, acaba trabalhando dobrado para quem o explora. É como se aceitasse de bom grado ser explorado, enquanto se orgulha de “economizar” alguns trocados que fariam diferença na luta coletiva.

Não há como romantizar essa postura: trabalhador que se recusa a fortalecer seu sindicato está, na prática, fortalecendo o patrão. Está escolhendo a servidão em vez da dignidade. Está trocando poder coletivo por submissão individual.

Acorda, trabalhador! Quem não investe na própria defesa, acaba pagando caro na exploração.

  • Onevir Brandão é presidente do Sindicato dos Empregados no Comércio de Hospedagem, Gastronomia e Turismo de Itumbiara e Municípios Adjacentes – SECHSIMA.

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