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Mulher, um tema para homens de verdade!

O feminicídio no Brasil não é apenas uma estatística de segurança pública; é o sintoma terminal de uma patologia social profunda. É o ápice de uma cultura que, durante séculos, ensinou ao homem que a mulher é uma extensão de sua propriedade, e não um indivíduo com autonomia plena.

O ex-Beatle John Lennon, em suas músicas, defendia os direitos das mulheres: “Não podemos ter uma revolução que não envolva e liberte as mulheres”, asseverava ele!

É inadmissível que, em pleno século XXI, o Brasil ainda registre índices alarmantes de mulheres assassinadas pelo simples fato de serem mulheres. A violência doméstica e o feminicídio não nascem do “amor que excedeu os limites” ou da “paixão descontrolada”. Eles nascem do orgulho ferido e de uma incapacidade patológica de aceitar o “não”.

A Falácia da Fragilidade: Embora biologicamente possa haver diferenças de força física, tratar a mulher como o “sexo frágil” tem sido usado historicamente como uma licença para o abuso. A verdadeira fragilidade reside no homem que precisa da violência ou da coerção para se sentir soberano.

A Banalização do Mal: Muitos homens ainda enxergam a violência psicológica — o controle, o grito, a humilhação — como algo “comum” de casal. Não é! Este é o estágio embrionário do crime.

A responsabilidade pela mudança não é das mulheres; elas já estão lutando por suas vidas. A responsabilidade é dos homens. É necessário confrontar a conivência silenciosa:

O Silêncio é Cumplicidade: O homem que não bate, mas silencia diante da “piada” misógina ou do comportamento abusivo do amigo, está pavimentando o caminho para a tragédia.

A Rejeição não é Ofensa: A masculinidade brasileira precisa evoluir para entender que o fim de um relacionamento ou a recusa de um afeto não é um ataque à honra, mas um direito de escolha da mulher. Matar por não aceitar a separação é o ato mais covarde e vil que um ser humano pode cometer.

Desconstrução do Ego: É urgente que o homem abandone o papel de “senhor do destino alheio”. O respeito deve ser incondicional, independente de vínculos afetivos ou familiares.

A defesa dos direitos da mulher deve ser intransigente. O Estado precisa ser mais rápido que a bala ou a faca do agressor, mas a sociedade precisa ser mais forte que o preconceito.

O feminicídio é o crime do covarde que confunde autoridade com autoritarismo e amor com domínio.

Não basta lamentar as mortes. É preciso punir com rigor extremo, educar as novas gerações fora do molde do patriarcado tóxico e garantir que nenhuma mulher sinta medo dentro de sua própria casa. A vida de uma mulher não pertence a nenhum homem, a nenhum pai e a nenhum marido. Ela pertence a ela mesma.

  • Osni Gomes é jornalista e Assessor de Imprensa da CONTRATUH

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