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Mulher trans celebra primeiro trabalho com carteira assinada

Aos 35 anos, a comerciária Ayla Ribeiro Santos viveu um marco pessoal e social: conseguiu seu primeiro emprego com carteira assinada em um supermercado da cidade de Mogi das Cruzes, em SP. A conquista, celebrada em um vídeo que viralizou nas redes sociais, emocionou milhares de pessoas e reacendeu o debate sobre inclusão no mercado de trabalho.

“Pela primeira vez sinto que estou me integrando à sociedade”, disse Ayla, em lágrimas, ao completar um mês de registro formal no dia 26. No depoimento, ela destacou a dificuldade que pessoas trans enfrentam para acessar empregos formais e descreveu a felicidade de poder realizar o que, para muitos, é considerado um direito básico.

Barreiras e exclusão

Segundo organizações de defesa dos direitos LGBTQIA+, a população trans ainda enfrenta altos índices de exclusão social e profissional. A associação entre identidade de gênero e trabalho formal é rara, o que torna a experiência de Ayla ainda mais significativa. “É muito difícil associar a imagem de uma trans em trabalho de carteira assinada. Agora, fazendo parte da atividade, sinto que estou me encaixando na vida”, afirmou.

Debate sobre a carteira de trabalho

Enquanto Ayla celebra sua conquista, há quem questione a relevância da carteira de trabalho no Brasil contemporâneo. Para setores neoliberais, o documento estaria ultrapassado diante das novas formas de contratação. No entanto, para trabalhadores como Ayla, o registro formal representa não apenas direitos trabalhistas, mas também reconhecimento social e dignidade.

Símbolo de integração

O caso de Ayla ganhou repercussão justamente por simbolizar a luta de tantas pessoas que buscam oportunidades iguais. “É estranho que sejamos tão exclusas, e estou muito feliz de poder realizar o que as pessoas realizam”, disse ela, reforçando a importância da inclusão.

Mais do que um contrato de trabalho, a carteira assinada de Ayla é vista como um símbolo de integração e cidadania. Sua história mostra que, para além das estatísticas, cada oportunidade representa um passo concreto rumo a uma sociedade mais justa e igualitária.

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