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Memória, pactos e prestação de contas contra o feminicídio

No artigo, que leva este título, publicado em 25 de fevereiro de 2026 no Le Monde Diplomatique Brasil, sociólogos Silvana Mariano (Universidade Estadual de Londrina) e Márcio Ferreira de Souza (Universidade Federal de Uberlândia) analisam o avanço dos feminicídios no país e a importância da memória como política pública. Segundo o relatório anual do Laboratório de Estudos sobre Feminicídios (Lesfem), houve aumento de 34% nos casos consumados e tentados em 2025 em relação a 2024.

Um marco importante foi a criação da Lei nº 15.334/2026, que institui o Dia Nacional de Luto e Memória às Mulheres Vítimas de Feminicídio em 17 de outubro, data escolhida em referência ao assassinato de Eloá Cristina Pimentel, em 2008. Para os autores, esse tipo de iniciativa só terá impacto real se for acompanhado de políticas contínuas de memória, prestação de contas e indicadores verificáveis, não apenas de cerimônias anuais.

O texto destaca que a violência patriarcal possui lógica própria, baseada em crenças de posse e submissão, conceito que dialoga com a “pedagogia da crueldade” descrita pela antropóloga Rita Laura Segato. A reversão desse quadro exige protocolos específicos de segurança e atendimento às mulheres.

Os autores também denunciam a contradição de homenagens públicas a feminicidas em ruas e praças brasileiras, como nos casos de Francisco Peixoto Gomide, Moacir de Toledo Piza e Tubal Vilela, o que reforça a necessidade de uma política ética de memória que valorize as vítimas e não os agressores.

Por fim, ressaltam o papel das universidades e coletivos de pesquisa, como o memorial “A falta que faz” do Lesfem e o NUAVIDAS da UFU, que contribuem para preservar a memória das vítimas e fortalecer o controle social sobre políticas de proteção. Para Mariano e Souza, o Brasil tem agora um marco, mas precisa transformá-lo em agenda pública permanente: memória, quando se torna política, cobra.

CONTRATUH PROMOVE

No próximo dia 19, a partir das 13h30, os filiados da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Turismo e Hospitalidade poderão assistir e participar de mais uma edição do Viver Mulher. O tema deste ano será “Feminicídio é crime, não estatística”, com palestra de Marta Lívia Suplicy, convidada especial para este encontro. Todos deverão se inscrever em nossos grupos de WhatsApp para receber o endereço da transmissão virtual. O presidente Wilson Pereira e a diretor de Mulher e Gênero, Mariazinha Hellmeister orientam para que todos se inscrevam e participem.

Crédito da foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

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