O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), por meio do projeto Tá na Mesa, mostra que o café da manhã latino-americano é muito mais do que uma refeição: é cultura viva. Do café passado no coador de pano no Brasil às arepas na Venezuela, das tortillas no México ao pão com palta no Chile, cada prato carrega histórias indígenas, camponesas e afrodescendentes que moldaram nossos sistemas agroalimentares ao longo de séculos.
No Brasil, essa diversidade alimentar não é apenas memória — é também um ativo turístico. Milho, mandioca, feijão, frutas tropicais e raízes, preparados de forma artesanal, revelam territórios e tradições que encantam visitantes. A hospitalidade brasileira se expressa na mesa: receber bem é oferecer sabores que traduzem nossa identidade.
O Guia Alimentar para a População Brasileira lembra que comer é mais do que ingerir nutrientes. É convivência, cultura e território. Valorizar alimentos in natura e minimamente processados no café da manhã é fortalecer a diversidade agrícola e, ao mesmo tempo, enriquecer a experiência turística. Afinal, quem visita o Brasil busca também provar nossa autenticidade — seja no café da manhã de uma pousada rural, seja no buffet de um hotel urbano.
Café é política e turismo
A expansão dos ultraprocessados ameaça essa riqueza cultural. O pão fresco da padaria virou pão de forma industrializado; a fruta da feira foi substituída por bebidas açucaradas. Essa padronização empobrece a mesa e reduz o potencial turístico da nossa gastronomia.
Ao escolher frutas da estação, raízes, cereais tradicionais e preparações caseiras, o brasileiro não apenas defende sua saúde e cultura, mas também fortalece o turismo gastronômico. Cada café da manhã típico é uma vitrine de nossa biodiversidade e um convite para que visitantes conheçam o Brasil por meio dos sabores.
Valorização começa na mesa
Fortalecer o café da manhã latino-americano é fortalecer sistemas agroalimentares justos e sustentáveis, mas também é investir em turismo cultural. Nossas mesas carregam história, memória e resistência — e podem ser transformadas em experiências únicas para quem nos visita.
É por isso que o Idec atua junto a organizações da América Latina na defesa de sistemas alimentares saudáveis e sustentáveis. Essa luta não é apenas por saúde pública, mas também por um turismo que valorize nossa hospitalidade e nossa cultura alimentar.
Receber bem é servir nossa história no prato. E o café da manhã brasileiro, com sua diversidade e autenticidade, pode ser uma das maiores portas de entrada para o turismo no país.
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