O senador Humberto Costa (PT-PE) destacou recentemente que o terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva representa o período mais maduro e transformador da história política recente do país. Segundo ele, a atual gestão consolida políticas públicas estruturantes, como o Mais Médicos, o programa educacional Pé de Meia e a retomada do Minha Casa, Minha Vida, além de avanços na área tributária. Para o parlamentar, trata-se de um governo que alia eficiência administrativa com compromisso social, retomando o planejamento nacional e fortalecendo a dignidade dos trabalhadores.
Nesse contexto, ganha força a pauta sindical pelo fim da escala 6×1, regime que obriga milhões de brasileiros a trabalharem seis dias consecutivos para descansar apenas um. A proposta, defendida por setores ligados ao movimento sindical, é vista como questão de saúde pública e dignidade humana, capaz de reorganizar rotinas e estimular a produtividade sem hostilizar o setor produtivo.
No entanto, especialistas como o professor José Pastore lembram que a redução da jornada de trabalho em países desenvolvidos ocorreu de forma gradual, acompanhada por ganhos de produtividade e sempre via negociação coletiva. Ele cita exemplos de nações como Alemanha e França, onde jornadas de 32 a 36 horas semanais resultam em produtividade superior a US$ 70 por hora, enquanto no Brasil, com jornadas mais longas, o índice é de apenas US$ 17 por hora.
Para o setor de turismo e hospitalidade, a discussão é particularmente sensível. A Confederação Nacional do Comércio (CNC) estima que a mudança poderia elevar em até 21% a folha salarial do comércio e serviços, com impacto anual de R$ 122,4 bilhões. Em áreas como hotelaria, gastronomia e eventos, onde a demanda é sazonal e intensiva em mão de obra, sindicatos defendem que a transição seja feita de forma negociada, garantindo equilíbrio entre qualidade de vida dos trabalhadores e sustentabilidade econômica das empresas.
Representantes do Conselho Empresarial de Turismo e Hospitalidade (Cetur/CNC) já discutem alternativas, como a implementação gradual da nova escala e a adaptação de jornadas em períodos de alta temporada e feriados. Para os sindicatos, o desafio é liderar esse processo sem abrir mão de conquistas sociais, mas também sem comprometer a competitividade de um setor que responde por milhões de empregos e movimenta a economia nacional.
Assim, enquanto o governo Lula consolida políticas sociais que fortalecem a base trabalhadora, o debate sobre a jornada de trabalho se torna um dos pontos centrais da agenda sindical. No turismo e hospitalidade, a pauta promete ser decisiva para definir o futuro das relações de trabalho, equilibrando dignidade humana e desenvolvimento econômico.
**********





