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Justiça fiscal e social: além da segurança pública, o trabalhador comum

A recente aprovação do Projeto de Lei 5814/25 pela Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados, que prevê isenção de Imposto de Renda para profissionais da segurança pública, reacende um debate essencial: quem está sendo contemplado pelas políticas de justiça social e quem continua à margem.

Reconhecimento

É inegável que policiais, guardas e agentes enfrentam riscos diários, muitas vezes arcando com custos de equipamentos básicos. A isenção de IR pode ser vista como uma compensação legítima pelo desgaste físico e psicológico, além de um reconhecimento institucional da relevância de sua função.

Trabalhador comum

Por outro lado, milhões de brasileiros submetidos à jornada 6×1 — seis dias de trabalho para apenas um de descanso — continuam aguardando mudanças que impactem diretamente sua qualidade de vida. Esses trabalhadores, em setores como comércio e serviços, enfrentam salários baixos, pouco tempo para lazer ou convivência familiar e escassas oportunidades de ascensão. A ausência de reformas trabalhistas que flexibilizem ou humanizem essa escala perpetua desigualdades e compromete a saúde física e mental da população.

Comparação das demandas sociais

  • Segurança pública: reconhecimento do risco e compensação financeira.
  • Trabalhadores comuns: direito ao descanso digno, valorização salarial e melhores condições de trabalho.

Exemplo ilustrativo

Um policial aposentado que deixa de pagar IR terá mais renda disponível para sustentar sua família. Já uma atendente de supermercado, submetida à escala 6×1, continua sem tempo para cuidar dos filhos ou estudar, permanecendo presa a um ciclo de desgaste e baixa perspectiva de melhoria.

Justiça plena

A isenção de IR para agentes de segurança pública pode ser considerada um avanço em termos de justiça fiscal. No entanto, a verdadeira justiça social só será alcançada quando políticas públicas também contemplarem os trabalhadores comuns, garantindo descanso adequado, salários justos e condições dignas de vida. Valorizar quem protege a sociedade é importante, mas não podemos esquecer de quem a mantém funcionando todos os dias — os milhões de brasileiros que sustentam o comércio, os serviços e a produção.

Esse é o ponto central: justiça social não pode ser seletiva; precisa ser universal.

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