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Já está na hora de reduzir a carga de trabalho no Brasil

A diminuição da jornada semanal de 44 para 36 horas pode criar até 4,5 milhões de empregos e elevar a produtividade em cerca de 4%, segundo estudo da economista Marilane Teixeira (Cesit/Unicamp). Os dados integram o “Dossiê 6×1”, publicado em 19 sites e elaborado por 63 especialistas, que defendem que “o Brasil está pronto para trabalhar menos”.

Com base na Pnad Contínua/IBGE, o levantamento mostra que:

  • 21 milhões trabalham além das 44 horas previstas na CLT;
  • 76,3% dos ocupados superam 40 horas semanais;
  • 58,7% cumprem entre 40 e 44 horas;
  • 18% chegam a 45–49 horas.

O dossiê relaciona jornadas extensas ao adoecimento: em 2024, houve meio milhão de afastamentos por doenças psicossociais no emprego formal, sem contar a informalidade. Também aponta 4,5 milhões de subocupados e o crescimento do banco de horas após a Reforma de 2017.

Debate no Congresso

A discussão ocorre na PEC 8/25, que propõe jornada de 36 horas no modelo 4×3 (4 dias de trabalho, 3 de descanso), extinguindo a escala 6×1. Se aprovada, pode impactar até 76 milhões de trabalhadores. A última mudança estrutural foi em 1988, quando a jornada caiu de 48 para 44 horas.

Resistência empresarial

Teixeira lembra que previsões negativas também marcaram debates sobre salário mínimo, 13º e trabalho doméstico, mas não se confirmaram. Para ela, ganhos de produtividade e avanços tecnológicos tornam a redução viável: “Não é paralisação, mas reorganização produtiva”.

Novo paradigma

O Dossiê 6×1 defende que a medida pode gerar empregos, melhorar a saúde, reduzir desigualdades e redefinir o papel do trabalho na sociedade brasileira, quase quatro décadas após a última grande mudança constitucional.

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