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IR zero até R$ 5 mil: o que muda para o trabalhador do turismo e da hospitalidade

Os trabalhadores e trabalhadoras do setor de turismo e hospitalidade — como cozinheiras, garçons, camareiras, recepcionistas, auxiliares de serviços gerais e atendentes — começaram a sentir, a partir deste mês, um alívio importante no bolso. A nova tabela do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) garante isenção total do imposto para quem ganha até R$ 5 mil por mês.

A medida, que vale para salários pagos a partir de janeiro e aparece no contracheque desde fevereiro, deve beneficiar cerca de 16 milhões de pessoas em todo o país, segundo o Ministério da Fazenda. É um público que inclui grande parte dos trabalhadores do setor de serviços, historicamente marcado por salários mais baixos e alta rotatividade.

Quem tem direito à isenção

Com a nova regra, ficam totalmente isentos do Imposto de Renda:

  • trabalhadores com carteira assinada;
  • servidores públicos;
  • aposentados e pensionistas do INSS ou de regimes próprios;

desde que a renda mensal total não ultrapasse R$ 5 mil.
A isenção também vale para o 13º salário.

Quem ganha entre R$ 5 mil e R$ 7.350 passa a pagar menos imposto, com uma redução gradual do desconto. Já os rendimentos acima desse valor continuam seguindo a tabela progressiva atual, que pode chegar a 27,5%.

É importante destacar: não se trata de aumento de salário, mas sim de redução ou eliminação do imposto descontado, o que resulta em mais dinheiro líquido no fim do mês.

“Mais dinheiro para organizar a vida”

A notícia animou a cozinheira Elisabete Silva Ribeiro dos Santos, de 48 anos, que trabalha há um ano e meio em um restaurante popular no centro de Brasília e recebe cerca de R$ 1,7 mil por mês.

“Se sobrar dinheiro, quero juntar para comprar um carro, porque venho de ônibus todos os dias do Recanto das Emas”, conta Elisabete.

O caso dela reflete a realidade de milhares de profissionais da alimentação fora do lar, que dependem do transporte público e enfrentam jornadas longas. Para esse público, qualquer valor a mais no contracheque faz diferença direta na qualidade de vida.

Apesar disso, Elisabete relata que nem ela nem outros colegas tinham sido informados pelo empregador sobre a mudança. “Eu acho excelente, mas vamos ver se vai valer mesmo!”, disse, desconfiada no primeiro momento.

Falta de informação ainda é um problema

Segundo o contador Adriano Marrocos, a dificuldade de comunicação entre empresas e empregados é um ponto crítico, especialmente em setores como bares, restaurantes e hotéis.

“A sugestão é que o empregador envie um texto simples explicando as mudanças e deixando claro que não é aumento de salário, mas redução de imposto”, orienta.

A informação correta ajuda o trabalhador a conferir o contracheque, entender seus direitos e planejar melhor o orçamento familiar.

Justiça tributária: quem paga a conta

A isenção para quem ganha até R$ 5 mil representa uma renúncia fiscal estimada em R$ 25,4 bilhões. Para compensar essa perda, o governo criou o Imposto de Renda da Pessoa Física Mínimo, voltado para quem está no topo da pirâmide econômica.

A nova cobrança atinge cerca de 141 mil contribuintes, incluindo quem recebe:

  • acima de R$ 50 mil por mês (R$ 600 mil por ano), com alíquota progressiva de até 10%;
  • acima de R$ 1,2 milhão por ano, os chamados super-ricos, com alíquota mínima efetiva de 10%.

Para o contador Adriano Marrocos, o impacto na arrecadação tende a ser pequeno. “Antes, a isenção ia só até dois salários mínimos. Agora, o benefício foi ampliado, e o governo passou a tributar rendimentos que antes eram isentos, como a distribuição de lucros.”

O que isso significa para o setor

No turismo e na hospitalidade, onde predominam salários mais baixos e forte presença de trabalhadores formais, a isenção do IR pode significar:

  • mais dinheiro para transporte, alimentação e moradia;
  • maior capacidade de poupança, ainda que pequena;
  • melhora imediata no consumo e na qualidade de vida;
  • valorização do trabalho, especialmente em funções essenciais e pouco reconhecidas.

Em um setor que sustenta a economia local, movimenta o turismo e garante serviços básicos à população, a medida representa um passo importante para reduzir desigualdades e fortalecer quem vive do próprio trabalho.

Fonte: Agência Brasil com foto de Marcelo Camargo

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