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Escala 6×1: entre a produtividade e o desgaste dos trabalhadores

O programa Sempribel UP, transmitido pela Rádio Ponto e Vírgula, do Rio de Janeiro, discutiu nesta semana os impactos das escalas de trabalho 5×2 e 6×1. O debate reuniu vozes do setor patronal e sindical: Carlos Américo, consultor jurídico da Fecomércio RJ; Peri Monroy, do Sindi Salões Patronal de Niterói; Claudio Rocha, vice-presidente da Fethrj e presidente da Sindicovi RJ; e Flávio Castro, presidente do Sempribel RJ, sindicato laboral da Beleza.

Opiniões divididas

A jornada de seis dias consecutivos com apenas um de descanso, prevista na CLT, é prática comum em setores como comércio e serviços. Mas, como ficou claro no programa, divide opiniões.

Carlos Américo defendeu a legalidade e funcionalidade do modelo: “A escala 6×1 está prevista na legislação e, respeitado o limite de 44 horas semanais, garante continuidade operacional e reduz custos para as empresas.”

Peri Monroy reforçou a visão patronal, destacando a competitividade: “O comércio precisa dessa organização para funcionar. Alterar a escala pode inviabilizar negócios e aumentar a informalidade.”

Do outro lado, Claudio Rocha trouxe a perspectiva sindical: “Um único dia de folga não é suficiente para recuperar o desgaste físico e emocional. O trabalhador chega ao limite, e isso compromete saúde e vida social.”

Flávio Castro foi ainda mais enfático: “A luta contra a escala 6×1 é histórica. Não se trata apenas de descanso, mas de dignidade. Precisamos avançar para modelos mais equilibrados, como o 5×2.”

Compensações

Juristas lembraram que a CLT prevê compensações, como pagamento de horas extras e respeito ao descanso semanal remunerado, mas alertaram para abusos. Sindicalistas defenderam alternativas como escalas 5×2 ou 4×2, que equilibram produtividade e bem-estar. Empresários, por sua vez, reforçaram que mudanças poderiam elevar custos e comprometer a competitividade.

Além da letra

O debate mostrou que a questão vai além da letra da lei. Enquanto empresas buscam eficiência e redução de despesas, trabalhadores reivindicam saúde e qualidade de vida. A discussão sobre a escala 6×1 expõe um desafio social e econômico: como conciliar competitividade com dignidade no trabalho? Flávio lembrou, ao final do programa, conforme a fala do presidente Lula, na II Conferência Nacional do Trabalho, em São Paulo, as negociações coletivas setoriais, em nível nacional, será uma saída para se chegar ao consenso.

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