O debate sobre o fim da escala 6×1, modelo que prevê seis dias de trabalho para um de descanso, avançou no Congresso e expõe um embate entre demandas sociais e preocupações econômicas. A proposta em discussão busca alterar a Constituição para reduzir a jornada máxima de 44 horas semanais, mas divide opiniões entre governo, trabalhadores e setor produtivo.
De um lado, o Governo Federal trata a medida como bandeira estratégica, apoiada por cerca de dois terços da população segundo pesquisa da Nexus. Para os defensores, a mudança representa um avanço em dignidade e saúde, especialmente em setores de serviços onde a rotina é considerada exaustiva. A redução da jornada é vista como um “pedido de socorro” contra a precarização e doenças psicossociais, além de abrir espaço para lazer, convivência familiar e maior equilíbrio de vida — com impacto positivo sobretudo para mulheres que acumulam dupla jornada com o trabalho doméstico. Estudos apontam ainda que a transição para modelos mais curtos, como 4×3 ou 5×2, poderia gerar até 4,5 milhões de novos postos de trabalho.
Do outro lado, o mercado financeiro e o setor produtivo alertam para os riscos. Analistas destacam que a redução da jornada pode elevar custos de produção de forma generalizada e pressionar o Orçamento. Para compensar o impacto sobre as empresas, discute-se uma nova rodada de desoneração da folha de pagamento, mas especialistas como Solange Srour, do UBS, lembram que não há espaço fiscal para abrir mão de receitas. Além disso, economistas ponderam que o ganho de produtividade, frequentemente citado como justificativa, não é garantido no caso brasileiro. Há também receios de que a medida incentive a “pejotização” e aumente a informalidade, especialmente em setores como comércio e serviços.
O tema, que deve dominar as negociações políticas nas próximas semanas, está sob a relatoria do deputado Paulo Azi (União Brasil). A expectativa é que ele busque um texto moderado, capaz de equilibrar a pressão política e o apoio popular com a cautela dos investidores. A discussão sobre a redução da jornada para 36 ou 40 horas semanais se consolida como uma das pautas trabalhistas mais populares do momento, mas também como um dos maiores desafios de conciliação entre justiça social e sustentabilidade econômica.





