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Contratuh alerta que a tecnologia está afetando o trabalho no turismo

A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Turismo e Hospitalidade – CONTRATUH, está somando com a UITA a assinatura de um documento onde se denuncia que a transformação tecnológica no turismo avança em ritmo acelerado, trazendo impactos ambivalentes sobre o trabalho. De um lado, abre espaço para inovação, novos nichos profissionais e serviços mais sofisticados; de outro, aprofunda a precarização, a terceirização e o controle sobre os trabalhadores.

A digitalização, a automação e a inteligência artificial estão redefinindo funções tradicionais e criando novas demandas. Profissionais especializados em análise de dados, marketing digital, design de experiências e inovação de serviços ganham relevância, enquanto tarefas rotineiras — como check-ins, emissão de passagens e pedidos em restaurantes — são transferidas para os próprios consumidores, configurando o chamado “trabalho paralelo” não remunerado.

Para o presidente Wilson Pereira, “esse processo não apenas reduz postos de trabalho, mas também intensifica a carga sobre funções operacionais. Camareiras, por exemplo, enfrentam maior controle e monitoramento, com tecnologias que otimizam tempo, mas aumentam a pressão e a rotatividade. A terceirização e contratos precários reforçam desigualdades, sobretudo em setores feminizados e com alta presença de imigrantes.”

Ao mesmo tempo, empresas destacam o lado positivo: modernização dos serviços, resposta às exigências crescentes dos clientes e criação de novos perfis qualificados. Já sindicatos e organizações trabalhistas alertam para os riscos de perda de empregos, intensificação das tarefas e uso da tecnologia como instrumento de vigilância e redução de custos.

O turismo, portanto, vive uma encruzilhada: inovação e modernidade podem ser oportunidades, mas também ameaças à dignidade laboral. O desafio está em garantir que a tecnologia seja usada para melhorar a qualidade do serviço e das condições de trabalho, e não apenas para ampliar lucros às custas da precarização.

Como a mudança tecnológica afeta o trabalho no turismo

  1. Transformação tecnológica no setor

O turismo está entre os setores mais impactados pela digitalização, automação e inteligência artificial. Essas mudanças não apenas modernizam os serviços, mas também redefinem funções tradicionais e criam novas demandas profissionais.

  1. Novos perfis profissionais
  • Cresce a importância de especialistas em análise de dados, marketing digital, design de experiências e inovação de serviços.
  • A tecnologia abre espaço para trabalhos mais qualificados e criativos, voltados à personalização da experiência do cliente.
  1. Transferência de tarefas para consumidores
  • Funções antes realizadas por trabalhadores passam a ser feitas pelos próprios clientes: check-ins em hotéis e aeroportos, emissão de passagens, pedidos em restaurantes.
  • Esse fenômeno é chamado de “trabalho paralelo” não remunerado, pois transfere responsabilidades sem gerar empregos.
  1. Intensificação e controle sobre funções tradicionais
  • Camareiras e recepcionistas enfrentam maior pressão, com sistemas que monitoram tempo e produtividade.
  • A tecnologia, em vez de aliviar o trabalho, muitas vezes aumenta a carga e o ritmo, ampliando a rotatividade.
  • Setores feminizados e com alta presença de imigrantes sofrem mais com contratos precários e terceirização.
  1. Ambivalência dos impactos
  • Lado positivo: modernização dos serviços, maior eficiência, novos nichos de trabalho qualificado.
  • Lado negativo: redução de postos, intensificação das tarefas, vigilância constante e precarização.
  • Empresas destacam ganhos de competitividade; sindicatos alertam para riscos de exploração e perda de direitos.
  1. O desafio futuro

O turismo vive uma encruzilhada:

  • Se bem aplicada, a tecnologia pode melhorar a qualidade dos serviços e das condições de trabalho.
  • Se usada apenas para cortar custos, reforça desigualdades e fragiliza a dignidade laboral.
  • O grande desafio é equilibrar inovação com proteção social, garantindo que modernidade não seja sinônimo de precarização.

Fonte: Site Rel Uita

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