Apesar de quatro décadas de debates e avanços regulatórios, a indústria da hospitalidade ainda enfrenta um desafio central: transformar a sustentabilidade em parte da sua cultura cotidiana. Hotéis e redes internacionais investiram em padrões ambientais, certificações e relatórios detalhados, aparecendo preparados no papel. No entanto, a prática mostra que muitas vezes a sustentabilidade é tratada como mera exigência de conformidade, e não como um valor vivido por funcionários e hóspedes.
Sem mudanças
Certificações como Green Key e LEED são amplamente adotadas e se tornaram referência no setor. Mas pesquisas recentes revelam uma lacuna persistente entre os compromissos assumidos e as mudanças comportamentais no nível operacional. Funcionários, sobrecarregados por altas cargas de trabalho e com pouca autonomia, raramente conseguem incorporar práticas sustentáveis de forma consistente. Já os hóspedes, quando participam de ações ambientais, o fazem de maneira transacional, sem compreender o contexto ou o impacto real dessas iniciativas.
O resultado é um fenômeno descrito como “fadiga da sustentabilidade”: a sensação de que os esforços não se traduzem em mudanças concretas, gerando falta de engajamento e de senso de responsabilidade compartilhada. Dados da indústria confirmam que, embora a adoção de sistemas e certificações seja robusta, há pouca evidência de transformações culturais duradouras.
Cultura sustentável
Especialistas apontam que o caminho para superar esse impasse passa por uma mudança de foco. Em vez de apenas gerenciar sistemas e relatórios, líderes do setor precisam cultivar uma cultura sustentável. Isso significa recompensar comportamentos positivos, fornecer feedback contínuo e conectar ações a impactos tangíveis, de modo que funcionários e hóspedes percebam o valor real de suas escolhas.
O objetivo é claro: transformar a sustentabilidade em propósito coletivo, em que a responsabilidade ambiental não seja apenas declarada em documentos, mas vivida no dia a dia da hospitalidade.
O setor hoteleiro parece preparado no papel, mas ainda engatinha na prática. Certificações garantem o selo verde, mas não garantem mudança de comportamento. Transformar sistemas em valores é o verdadeiro desafio da hospitalidade.
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