Nos países europeus, especialmente na Holanda, já se observa uma prática consolidada de jornadas reduzidas para trabalhadores de turismo e hospitalidade, algo que ainda engatinha no Brasil. A Holanda ostenta a menor carga semanal da União Europeia, com média de 32,1 horas, contra 36 horas da média europeia. Mesmo com menos tempo dedicado ao trabalho, o país figura entre os que têm maior PIB per capita na OCDE, mostrando que produtividade e bem-estar podem caminhar juntos.
Empresas holandesas como a Positivity Branding adotaram há anos a semana de quatro dias sem corte salarial, apostando em “trabalho inteligente” e equilíbrio entre vida pessoal e profissional. Já a Nmbrs, do setor de software, registrou queda nas faltas por doença e aumento na retenção de funcionários após implementar a medida. Além disso, políticas públicas permitem que trabalhadores solicitem redução de carga horária, e cerca de 50% da população ativa trabalha em meio período — sendo 75% mulheres.
Disparidade
No Brasil, a realidade é distinta. A legislação trabalhista ainda se baseia em uma jornada padrão de 44 horas semanais, e setores como turismo e hospitalidade, que exigem alta disponibilidade, frequentemente ultrapassam esse limite em períodos de alta demanda. A flexibilização de horários é rara e, quando ocorre, geralmente está ligada a contratos temporários ou informais, sem garantias de manutenção salarial ou benefícios.
A comparação entre Brasil e Holanda evidencia um contraste: enquanto os holandeses conseguem conciliar jornadas menores com altos índices de produtividade e qualidade de vida, os trabalhadores brasileiros do turismo enfrentam longas horas e menor remuneração média. Essa diferença sugere que a adoção de políticas de flexibilização e redução de jornada poderia não apenas melhorar o bem-estar dos profissionais no Brasil, mas também tornar o setor mais atrativo e competitivo internacionalmente.
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