Os números mais recentes confirmam a gravidade da crise de esgotamento profissional: 86% dos brasileiros relatam sintomas de burnout, em linha com o índice global de 90%. Quase 40% convivem com esses sinais semanalmente, revelando um quadro de tensão contínua e não apenas circunstancial.
A pesquisa Panorama do Bem-Estar Corporativo 2026, conduzida pela plataforma Wellhub, com mais de 5 mil trabalhadores em dez países, mostra que o Brasil está entre os países mais afetados. O levantamento indica que 86% dos profissionais brasileiros experimentaram sintomas de burnout no último ano, como fadiga constante, dificuldade de concentração, distúrbios do sono, irritabilidade, ansiedade e a sensação de estar sempre sobrecarregado. Globalmente, o índice é ainda maior: 90% dos entrevistados relataram sinais de esgotamento, e 39% afirmam sentir esses sintomas pelo menos uma vez por semana.
Ricardo Guerra, líder da Wellhub no Brasil, resume o cenário: “A força de trabalho aprendeu a funcionar no limite. O limiar entre produtividade e exaustão está cada vez mais tênue.”
Dados revelam
- Pressão contínua: não se trata de um pico temporário, mas de uma tensão crônica.
- Reconhecimento insuficiente: outro estudo, o Work Relationship Index da HP, mostra que apenas 29% dos brasileiros mantêm uma relação saudável com o trabalho, enquanto cresce a parcela em situação de desgaste emocional, destaca o Portal G1.
- Impacto direto na performance: segundo o Wellhub, 89% dos profissionais acreditam que bem-estar influencia diretamente a produtividade. Empresas que investem em programas estruturados de saúde corporativa registram maior satisfação e engajamento de seus colaboradores wellhub.com.
Soluções viáveis
Especialistas apontam que o enfrentamento do burnout exige ações estruturais e não apenas individuais:
- Programas de bem-estar corporativo: iniciativas que incluem apoio psicológico, incentivo à atividade física e políticas de desconexão digital.
- Reconhecimento e valorização: ambientes que oferecem feedback positivo e recompensas justas reduzem a sensação de sobrecarga.
- Flexibilidade: modelos híbridos ou jornadas adaptadas ajudam a equilibrar demandas pessoais e profissionais.
- Cultura organizacional saudável: líderes que promovem diálogo aberto e práticas de gestão humanizadas conseguem reduzir o risco de esgotamento.
Oito em dez
O dado de que mais de oito em cada dez brasileiros convivem com sintomas de burnout é um sinal inequívoco de que o mundo corporativo precisa rever suas práticas. O esgotamento deixou de ser exceção e tornou-se regra. A pergunta que se impõe agora não é se as empresas devem agir, mas como e com que urgência.
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