Na primeira reunião de 2026, realizada em 28 de janeiro, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu manter a taxa Selic em 15% ao ano. Com isso, o Brasil segue ostentando a segunda maior taxa básica de juros reais do planeta, atrás apenas da Rússia, que enfrenta uma guerra há quatro anos. A decisão, embora justificada pela necessidade de manter a inflação sob controle, traz efeitos profundos sobre a economia, as contas públicas e, principalmente, ao bolso dos trabalhadores.
Crédito caro
O impacto imediato é sentido no crédito: empréstimos, financiamentos e cartões ficam mais caros, dificultando o consumo das famílias e o acesso de pequenos negócios ao capital de giro. Ao mesmo tempo, a manutenção da Selic em patamar tão elevado encarece o serviço da dívida pública, ampliando o déficit e restringindo a capacidade do governo de investir em áreas sociais e infraestrutura.
Trabalhador
Para o trabalhador, os efeitos são diretos. O endividamento das famílias aumenta, já que parcelas de financiamentos e renegociações ficam mais pesadas. O mercado de trabalho também sofre: juros altos desestimulam investimentos produtivos, o que reduz a geração de empregos e pressiona salários. O poder de compra, por sua vez, é corroído pelo encarecimento do crédito e pela desaceleração da economia.
Alternativas
O governo Lula, em fim de mandato, busca alternativas para reduzir o peso dos juros. A estratégia tem sido manter disciplina fiscal, sinalizar responsabilidade nas contas públicas e reforçar programas de crédito subsidiado para trabalhadores e pequenas empresas. A expectativa é que, com a inflação em queda e o dólar mais estável, o Banco Central possa iniciar um ciclo de cortes já em março, abrindo espaço para uma trajetória de juros mais baixos ao longo de 2026.
As perspectivas para o futuro dependem de fatores internos e externos. No cenário doméstico, a adoção da meta contínua de inflação de 3% dá mais previsibilidade e pode permitir uma política monetária menos restritiva. No entanto, tensões geopolíticas e a guerra prolongada na Rússia mantêm o Brasil em posição delicada, já que investidores internacionais continuam exigindo prêmios elevados para aplicar no país.
A decisão do Copom de manter a Selic em 15% reforça o freio sobre a economia e pesa no bolso dos brasileiros. Mas há sinais de que o ciclo de cortes pode começar em breve, trazendo algum alívio para trabalhadores e empresas. O desafio do governo Lula, neste fim de mandato e principalmente em ano eleitoral, é equilibrar disciplina fiscal e estímulo ao crescimento, abrindo caminho para uma trajetória sustentável de juros menores.
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