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Expansão de ganhos é marcada por até dois salários mínimos

O mercado de trabalho brasileiro consolidou, entre 2023 e 2025, um movimento de expansão focado na base da pirâmide social. De acordo com dados do IBGE, analisados pela consultoria 4Intelligence, as faixas de rendimento de um a dois salários mínimos foram as grandes protagonistas da geração de emprego no país, respondendo por 87,3% do crescimento da população ocupada no período.

Essa dinâmica resultou na inserção de 4 milhões de novos trabalhadores (formais e informais) nessa faixa de renda, em um cenário onde a ocupação total do país cresceu 4,6 milhões de postos. Com isso, esse grupo passou a representar 37,1% do mercado de trabalho em dezembro de 2025, uma evolução significativa frente aos 33,7% registrados no final de 2019. Especialistas apontam que o dado é positivo, pois atende justamente ao público que historicamente mais sofre com a desocupação, contribuindo para uma redução na desigualdade laboral.

Recordes e Contrastes

Os indicadores da Pnad Contínua reforçam o momento de aquecimento, registrando uma renda média real de R$ 3.652 — o maior patamar desde 2012 — e uma taxa de desemprego situada em 5,4%, com um contingente de 102,7 milhões de pessoas ocupadas.

Entretanto, o otimismo dos números macroeconômicos encontra resistência na realidade operacional do setor produtivo. Embora haja cerca de R$ 370,3 bilhões circulando na economia, uma parcela considerável desse montante não chega às gôndolas do varejo. O motivo é o alto comprometimento da renda das famílias: cerca de 78,5% dos lares brasileiros estão endividados, e a manutenção da taxa Selic em patamares elevados de dois dígitos encarece o crédito.

Consumo Reprimido

Para quem atua na ponta, especialmente nos setores de bens de consumo e varejo, o cenário exige cautela. Relatos de mercado indicam que o consumo segue reprimido, uma vez que o crescimento da renda tem sido drenado pelo pagamento de juros e parcelas em atraso.

“A matemática é simples: a renda cresce, mas o comprometimento com o setor financeiro cresce mais rápido”, apontam analistas do setor.

Neste contexto, as empresas que têm conseguido performar bem são aquelas que ajustaram seus portfólios para a nova realidade, focando em produtos essenciais e estratégias de valor que não dependem exclusivamente de preço baixo. O setor de moda, por exemplo, tem se destacado ao adotar ciclos de novidades mais frequentes nas lojas, conseguindo capturar a atenção desse novo contingente de trabalhadores.

O cenário atual, portanto, é de pragmatismo. Se por um lado os indicadores de emprego e renda média celebram marcas históricas, por outro, o alto endividamento e o custo do dinheiro impõem um teto ao otimismo, exigindo que o empresariado mantenha os pés no chão ao projetar o crescimento para os próximos anos.

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